Aqui dentro do meu peito
o meu coração idoso
tá sendo do mesmo jeito
Do relojo preguiçoso
Que no compasso demora
Marcando fora das hora
E que tanto se aperreia
Andando fora da tria
Que quando dá meio dia
Ele tá nas dez e meia.
Mas porém meu coração
Naquela vida passada
Já teve a mesma feição
Da pitombêra copada
Que havia no meu terrêro
Onde os passo prazentêro
Cantava era mesmo que escutá
Cantava com tanto amô
Que era mesmo que escutá
Um coro celestiá
Do anjo do criadô.
Parece que os passarinho
Para aquele verde abrigo
Convidava seus vizinho
Seus parente e seus amigo
Crescendo os nurmo das ave
cada quá mais agradave
Sobre a copa hospitalêra,
Quanto mais dia passava
Mais passarinho chegava
na copa da pitombêra.
As ave cantava mansa
Os mais sonoroso hino
As veze me vinha à lembrança
Que Deus nosso Pai Divino
Mandou um dia que um santo
remexêsse no encanto
que havia no mundo intêro
E depois que inxaminasse
O mais bonito que axasse
botasse no meu terreno.
A pitombêra frondosa
Se ria toda contente
Uvindo a voz sonorosa
Daqueles musgo inocente
Mas quem repara conhece
Que as ave também padece
Triste coisa aconteceu,
Tudo aquilo se acabou
a pitombêra secou
A pitombêra morreu.
A pitombêra morreu
Depois que tanto gozou
A natureza lhe deu,
A natureza tomou
E as sua fôia caindu
As ave foram fugindo
Atrás de dotru paradêro
Se acabou a poesia,
Aquela grande alegria que havia no meu terrêno.
Pitombêra,Pitômbera
teu fracasso continua,
Nesta vida passagêra
Minha sorte é como a tua
Pitombêra distruida,
eu também na minha vida
Tive amô e tive carinho
Eu já fui do mesmo jeito
Aqui dentro do meu peito cantava meus Passarínhu.
Patativa do Assaré
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